domingo, abril 24, 2011

Estatua enamorada.- XFC



querría
saber amarte
aprender a amarte
mas soy
la estatuta
que todas las tardes
te contempla
mientras pasas
mascando siluetas
la estatua
que a veces
estira su sombra
-aun contra el sol-
para que tú la pises

querría
poder hablarte
mojarte
columpiarte en la memoria
de una isla
que aún no existe
para que silbes
todas tus nostalgias

querría
inmortalizarte
en piedra
lenta
-como yo-
y cubrirte
de musgo
año tras año
hasta
la resurrección 
de las piedras

querría
que sepas
que soy piedra
que como piedra siento
pálpitos
de planeta

y ahora
cuando pases
camino de no sé dónde
mírame
regálame tu tacto
aunque sea a distancia
y seré
por un instante
humano
humano

 (...)

ingrata
ingrata

© Xavier Frías Conde

quinta-feira, abril 21, 2011

Just for a while.- XFC



just for a while
give me the blink
to create
words
and twist them
till they feel cozy
like a woman's silhouette

just for a while
let me lick
the hidden face
of your sacredness
and keep it secret
for a couple
of eternal
sighs

just for a while
I'd rather
fly you around
getting your navel
salty...
god!
I want to become
your sea-maker

just for a while
unzip your soul
and whisper me
rhythmically
my name
up and down
so damp

just for a while
be real
just for a while

© Xavier Frías Conde

Fim do telefonema .- XFC



uma história
de não amor
dum eu e dum tu
que provavelmente
nunca 
se conheceram
contada por um ele
ou era uma ela
bébada 
de melancolias

ponhamos
um rio
uma flauta 
uma estrela a meio gás
uma história
que alguém deveria
de vez inventar

tanto amor
contido
numa nota
sol, fá ou pó?-
de lévedo
azul
que alguém
ignorante
de histórias invisíveis
almoçou
com sabor
a saudades

aquele eu
com aquel tu
coincidiu
numa pegada 
órfã de elefante
e depois
um fóssil
uma linha anárquica
uma garrafa
sem mensagem
e nenhuma praia
naquele grão
de areia

alguém
deverá escrever
a história
do eu e do tu
para torná-la
irreal
mais ainda
para quem a degustar
julgar
se está bem
de açúcar

fim
do telefonema

© Xavier Frías Conde

domingo, abril 03, 2011

Irrelevâncias (bilingue GP/ES) .- XFC



=========================(GP)=======================


não sei por que
ainda te lembro prostituta sem nome
embora te conheça
desde sempre

pergunto-me
onde foram as ondas do teu rosto
as marés do teu embigo
o salgado das tuas cuecas

ver-te agora
foder profetas
espida sem alva
enquanto pronuncias anjos de palha

sinto mágoa
por seres trajeto de sombras
tu que fuches cor de magnólias
agora apenas língua
inservível de borboretas mortas

como sempre
que choras
tristezas

=========================(ES)=======================

no sé por qué
aún te recuerdo prostituta sin nombre
aunque te conozca
de siempre

me pregunto
dónde han ido las olas de tu rostro
las mareas de tu ombligo
lo salado de tus bragas

verte ahora
joder profetas
desnuda sin alba
mientras pronuncias ángeles de paja

siento lástima
porque eres trayecto de sombras
tú que fuiste color de magnolias
ahora tan solo lengua
inservible de mariposas muertas

como siempre
que lloras
tristezas

© Xavier Frías Conde

Dança || Danza (bilingue).- XFC



=========================(GP)=======================

quem és
que ficas
que flutuas
que escondes
o rosto
detrás da almofada

vai para a memória
uma linha adolescente
de barca
salgada

até
esta manhã
mesmo quando choravas
murcha a parede
pressenti
mais silêncio
e todas tuas lágrimas
de orvalho

sem desculpas
abraços de arroz
e elétricos
a fazer-che cóxegas
pola barriga

tinjamos 
de azul
a última chamada

=========================(ES)=======================


quién eres
que te quedas
que flotas
que escondes
el rostro
detrás de la almohada

ve hacia la memoria
una línea adolescente
de barca
salada

hasta 
esta mañana
incluso cuando llorabas
marchita la pared
presentí más silencio
y todas tus lágrimas
de escarcha

sin disculpas
abrazos de arroz
y tranvías
haciéndote cosquillas
por la barriga

tiñamos
de azul
la última llamada




© Xavier Frías Conde
All rights reserved worldwide.

segunda-feira, março 21, 2011

Falar.- XFC


Dia mundial da poesia, 2011


falar a sério
de tudo
de nada
de carícias que não tivemos
de palavras não lendadas
de percursos corporais indescritíveis
de lágrimas cuspidas
de fantasmas sob os lençois
de rios que deixam pegada
de nós


falar sem lábios
de feitiços
de doces mentiras
de lividos incontestáveis
de sexo anegado
de lençois despovoados
de unhas melancólicas
de cores para a tua voz
de carícias
de tacto
de nós


falar
falar-nos
ser a língua do outro

© Xavier Frías Conde
All rights reserved worldwide.

sexta-feira, março 18, 2011

A mitad de la brisa.- XFC




**********************

te quiero
aunque no estés
ni me oigas
ni tan siquiera existas


*************************

desnúdame
la lengua

infiel 
húmeda
palabra


**************************


en tu ausencia


tu desnudez
mi infierno


**************************

mariposas
en tu hombro

tejería
tu sonrisa


**************************

dicen
que vuelves

no entendí
tu partida


*************************


cubres mi piel
de farolas melancólicas
otro ocaso
de párpados
y brisa


*************************

tus sueños 
me ahogan

endulzaste
el café
con mis lágrimas


*************************
18.03.2011
*************************

© Xavier Frías Conde
All rights reserved worldwide.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Me falta.- XFC



me falta
tu cuerpo
en esta casa
ahora de espíritus
a la deriva


me falta
el aroma
de tu voz
me falta
compartir contigo
una película
que nunca llegas a acabar
porque sueñas
en mi pecho


me falta
verte salir
envuelta
en una toalla
que se desliza
por mi mente
mi sonrisa
y mi cama


me falta
tu piel
y tu cabello
y tu caricia
cuando estoy a punto
de joderla otra vez
sin anestesia


me faltas
en una de esas noches de invierno
en que alguien
tendrá por fin
que decidir
si la vida es en blanco y negro.


© Xavier Frías Conde, 2011

Llorar || Cry .- XFC



te he de confesar
que a veces lloro
lloro lluvia
lloro sin llanto
lloro en los controles
del aeropuerto
cuando te vas
pero nadie lo nota
porque lloro
a lo lejos
como una brisa
que nunca
alcanza
tu barbilla


lloro para desteñir papel
de ausencias
mas no lo hago bien
porque enseguida
me vuelve el recuerdo
de cómo fingí
perderme en tu cabello


lloro café
lloro imprudencias
lloro al revés
te lloro a ti
y no sé si tú me lloras
pero cuando las lágrimas
se emborrachan
reencuentro
los límites
de tu floresta


quizás tan solo me quede
anhelar
bañarme en tu ombligo
salado
y seguir la corriente
de tanto llanto
en cascada
directa
a tu sexo
monumental


© Xavier Frías Conde, 2011

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Descubriendo || Discovering .- XFC




<1>


descubrí
que la ausencia
es vertical
que el silencio
es vertical

y tu sonrisa...



<2>

descubrí
como tocar un sueño

ahora las manos
me saben
a tiza


<3>

te descubrí
amaneciendo
levemente

ya sé que el café
caliente
servido
en la cama
nos resucita
el día



<4>


me gustan
tus labios
cuando riman
en mi boca

te quiero
aún
más lluvia


<5>

"sabes salado"
me dices
paseándome la boca


tanto mar 
de madrugada
me deja mareas
melancólicas

© Xavier Frías Conde 2011
All rights reserved worldwide

terça-feira, janeiro 25, 2011

Bairro da Luz.- XFC








<1>


declarou-se destripador
de estrelas
por covarde
por não ousar
destripar soidades

porém
as suas tripas correm
noite abaixo
fugendo pontes
sem reflexos
jurando
anceiando
tanta tinta
que acariciava



<2>


quero ver-te
enroupada na baranda
e o porto
às tuas costas

gosto de ver-te sorrir
quando os teus óculos de sol fazem piadas
e a brisa retoma o tempo
percorrendo o teu cabelo 

nem o inverno
é inverno
quando o mar me sussurras
ali
na baranda do porto
pensando silhuetas



<3>


bêbedo
das tuas coxas
mais uma noite
primavera
ou uma estação por inventar
nos vértices
de tantas bocas



<4>



és linda
muito linda

desculpa
não fomos apresentados

dizia...
és linda
muito linda
embora nunca te conheça


<5>


apenas quando adormeces
existe em ti
um recanto
o bairro das luzes
onde mora
o indezível

e fazes confluir
o Tejo com Praga
o Moldava com Lisboa

apenas quando adormeces
existe em ti
o bairro das luzes
boca de humidades
mapa de carícias
e praias
lentamente anceiadas




<6>

escreve-me

queres que che escreva
absurda e vaidosa
quando és apenas
uma nódoa
no meu guardanapo
sem forma 
nem rima

escreve-me, insistes

deixo a conta sem pagar
vou embora



<7>

ignorava
que os esqueletos
dançassem

pensei que
eram vozes frustradas
caramelos cuspidos
ou ligações para o absurdo

até que te conheci
então percebi
ossos envejosos
até da pelelha resseca dum tambor

como pode a morte
tentar espelhar-se
nos lábios do mar
e acreditar
que ainda nalgures
lhe mora beleza

não é por caso
que te chames dores
enquanto inerme aguardas
que floreçam as falanges
do teu mais anónimo
inverno
inverno


<8>


à noite
na ponta das dedas
tu
sempre menina

fora chove
miudinho
para não acordares

dorme
miudinha

© Xavier Frías Conde 2011
All rights reserved worlwide

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Lettere.- XFC

Five winter's poems in Italian. Winter time pushes us to remain indoors enjoying calm with the help of hot coffee and some poetry if possible. Sit tibi nive levis, amice.
________________________________________________________________________



LETTERE

lettere
malinconiche
con tendeze suicide
dimenticate sul bordo della tazza fra la traccia delle labbra rosse

lettere
rischiose di diventare voce
morbide
che nemmeno esistono

lettere
erotiche
innamorate di un’ora estinta
di lettere sementali

tu sei
lettere
di un alfabeto sbagliato
sottoscritto
di pelle


DISINTOSSICAZIONE

oggi
vorrei
disintossicarmi 
di te
di voi
almeno ci proverò

guardo i tuoi occhi con sapore a limone
inauditi
sotto la polvere amara
di un sorriso
mai fatto
sul serio

sentirmi 
fumato
da te
da voi
sulla spiaggia bastarda

oggi
vorrei
disintossicarmi
dei tuoi silenzi
mai
salvati.



RIPETIZIONE

ripetere
ripeterti
ripetere silenzi
ripetere nomi zitti
ripeterci
ripetere l’ultimo gusto
ripetere la notte sotto la lingua
ripetere
ripetere la luna cadendo
ripetere la loro parlata di nebbia
ripetermi
ripetere me stesso
ripetere che ripeto
e non ripetere più
l’ultimo colpo di palpebra 



LIEVITO

bene, grazie a dio
alhamdullillah

credo al deserto
come pelle ultima
dove fingere la vita

umidità scaduta
dei ricordi più dolci
-oppure più amari
non lo so-

crescere
senza il corpo
scoprire
che le mie dita
sono polvere
io sono lievito
sillabico
al di là del deserto nascosto



CURVA

la curva più perfetta
è quella dei capelli
che si avvicinano al volto
e poi fluttuano
tramite una breve galassia
di donna

non toccare mai
la curva
sarebbe come macchiare
un silenzio
brezza di autunno lento
che scende
e cavalca
scende
e cavalca
quei desideri più indecifrabili




© Xavier Frías Conde 2011
All rights reserved worlwide

sábado, dezembro 11, 2010

Albeggiando.- XFC

Albeggiando is a set of three Italian poems, written after looking through the window in fancying that beyond the snow that makes everything silent, there are the dreamed places that one misses. But warmth and fluids are actually here, behind the window, on the skin and among the hairs of a woman who possesses all rivers and all guitars on her body and whose skin is prone to welcome the forthcoming dawn, still unborn like all my wishes.
________________________________________________________________________

A Nataša

<1>

a volte
non vale più
una confessione

vale di più
guardarti
in pigiama
di notte
e scendere
tra i tuoi
silenzi
e incognito
baciare
le tue labbra
di birra

vale di più
credere
ai lenzuoli
come patria
e desiderare
l'esilio
al tuo grembo

e tu
sempre dormi
a volte
proprio
nevica
sul tuo naso
e sorridi

ancora
avrò l'occasione
di rubare
il profumo
dei tuoi capelli
facendo finta
di cercarti
motivi
per condividere un caffè

e il Moldava
si unisce con il Tago
nell'umidità
più profonda

ti svegli
sul letto
pianeta
e mi acetti
pioggia
lenta
e zitta.


<2>

ti scopro
quando ti svegli
pelle di fado

non so perché
in te abitano
tutte le chitarre
e se ti bacio
hai fiato di pasticcio
e marmellata

con te
lento il tram
invade Lisbona

taciono
isole e gabbiani
di notte
quando il Tago
ancora non
ti arriva alla bocca


<3>

Sei morbida
piccola
e misteriosa

mi piace
la tua nebbia
calda
sotto le coperte

mi piace
quando la tua lingua
inventa
geografie
che subito
si evaporano

mi piace
essere il tuo corpo
e darti
nomi
inpronunciabili

sei morbida
piccola
e calda

© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Poena delenda est .- XFC

Poena delenda est.- Four times, four oblivions. Times goes on, life as well, fortunately. One of those melancholic moments in which a snowed landscape makes you stop and look back. It isn't worth regretting things. Four poems in Spanish devoted to B., I., E., R. (=beer, but in German)
________________________________________________________________________



COLOR


te pensé

te pensé
bruja rota

sentí ternura

qué pena
que la vida
te fumase
entre poros

recuerdo aún
aquella siesta
en que desnudaste la playa
callabas llorando

te pensé entonces
te pienso ahora
mas no
cuando has querido
beber la nieve
para maquillarte
te he visto
duchada
en cerveza

me ha dolido

porque te pensaba
y ahora
tus letras
bailan
por unas pocas monedas
-las muy putas-

te pensé
te pienso
que tu cabello
te sea leve
cuando despiertes

amiga



MANCHA


recuerdo
haberme bañado
en tu risa

contigo el café
sabía
a adolescencia

aquellas calles de piedra
acabaron lloviendo
borraron huellas
de huellas
sin aire

la última vez
que te vi
ibas del brazo
de la vía láctea

ahora
temo llamarte
tu teléfono
tan borracho
no acierta
a encontrarte



FICCIÓN


de la noche
tomaste
ojos
y caderas

mas amaneció

no te reconocí
en la calle
mendigando
caricias

lo siento
ya no me quedan


Y NADA


loca
que aúllas a la playa
en vez de a la luna

te desnudas
ante la nada
pidiéndole
que despinte
tu pasado
tan lánguido
como
tu soledad

murmuras estrellas
estériles
sin aceptar
que tu piel
ya
es desierto
sin dunas


que otrora
fuiste mi nómada


© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

sábado, dezembro 04, 2010

Old steps still sounding.- XFC

It's interesting to go through old folders in the hard disk. At times one finds old forgotten poems written in Galician. These ones were probably  written between 2005-06. A good chance to share them.
________________________________________________________________________





entender a ausencia
indecente
impaciente
aínda de ti máis ausente

o vicio de conquistar
impaciencias
as praias
tamén ausentes
da palma de
túa mao.


* * *

percorrinte foresta
aroma
amorodo
praia
até acordar
primavera
en teu cabelo.

* * *

as palabras
    cando espidas
tamén aterecen

país desabrazado

* * *

fechou o silencio
por fin de existencias

a pel é de novo
erma rúa mollada


* * *
e o suor
tórnase mar

na túa palma
marés

o teu peito
illas à alba
contigo
    meniña
adormecida...  toda tu praia

* * *

négome a almorzar
tabús descubertos
en suor
silencios de palla
cans de inocencia

nesta todas as ausencias
hai corvos afónicos
que non explican
os contornos da túa pel

e rancia
    neciamente
suplican
aínda
máis ausencias

* * *

corrente arriba

sempre
sempre
ao teu sexo

* * *

sentas
na butaca azul
da lingua fértil
das gaivotas

faría agora
castelos de area
    e talvez de fadas
na túa pel

muller na maré

© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

terça-feira, novembro 30, 2010

Geoletras (2).- XFC

Geoletras.- A shapeless varying landscape of poems written in Spanish. Just for free. Second part
________________________________________________________________________




(6)


empezar a descreeros
-no dije olvidaros-
desudar las páginas
de este otoño
insípido

mi aliento
es de vino
ahogado

una promesa más
río abajo
se descumple

tactos de hojalata
pestillos en la noche
¡joder!
por qué
se rebelan las mantas


(7)


le dimos a todo
(des)amor
(im)potencia
(auto)censura

soñamos
lo que
fuimos
inventando
inviernos de peluche

y yo ya
regreso a puerto
pubis lento
oliendo
a gemidos



(8)

de nuevo
destriparán
tu horizonte
insaciable
de penumbras


desgarros
de una lágrima
y más ranciedumbre
en tu nombre
azul

no te veo
no te creo
no te gimo

aquella tentación
se arrepiente
y se va
invisible
de puntillas


(9)


la caja
de mensajes
huele
a ausencias

profetas
que beben
fangos

ay
la calle
enjabonada
donde corren
los hijos
de las ideas...
que resista
que resista.


(10)


déjame
que me deleite
en tu derrota
en este sofá
relleno
de incoherencias

despacio
tómate el café
amargo
como te gusta
y luego navega
por tu propia piel
tecleando
en tu vientre
tanta y tanta
desmemoria

© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

quinta-feira, novembro 25, 2010

Geoletras (1).- XFC

Geoletras.- A shapeless varying landscape of poems written in Spanish. Just for free.
________________________________________________________________________






(1)


inútil recitarte otoños
   
llegaron sueños
ojos de hojarasca

te cruje
la melancolía

me embarga
lo que callo


humedad
en los huecos
de tu risa

seduzcamos parábolas
que giman
entre tus dedos
 –un lar
de cabellos
desdomados–

por fin
la tierra
se desnuda
a dioses
de esperma


(2)


de repente
salvamos ballenas
en la taza
semidesnuda
del café

tus labios
en playa
dejan su huella
en el borde
    se acerca un fado
huele a melancolía


soñar
comienza a doler.


(3)


la fronda del silencio
navegando por mi ventana
y arrugas
    tantas arrugas
que ya no responden

surcos de polvo
en la piel
de nuevo barbechos
en la memoria


por no recordar
no se recuerda
el adiós.




(4)


tierra ingrata
de mujer
mar
de insomnios


gotean palabras
inermes
por la pantalla
sin delfines en el cabello


tierra
sin pelvis
anhelando mareas


tierra impronunciable
triste
y mendiga


(5)

viejo amigo
y papel

tantos años
sin tu llanto
me hueles
a tinta


yacen
apariencias

© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

domingo, outubro 03, 2010

Autumn smell.- XFC

Autumn smell. Six French poems. Nostalgia, sadness rain and smells.
________________________________________________________________________



QUESTION DE CHAGRIN
            
Aujourd'hui c'est question de chagrin.
Le chagrin parle en absences.
C'est pire de se réveiller que de rêver,
l'espace vide sent encore des lettres.
Un serpent analphabète.
Et soudain, l'aube fausse.
Pas de mer sous mon lit.
Je me déclare intouchable.


ÉTRANGE SAISON
        
Étrange saison de misère.
Deux îles guère illuminées.
Je te quitte, une fois,
encore une autre, désolé.
Un train ivrogne court par l’écran.
Chanson qui vomie couleurs vifs.
Laisse-moi composer un retour,
laisse-moi te coudre la tristesse
aux affiches du tram,
tram à destination de l’oublie.


JE CRAINS

Je crains que tu ne ris plus,
ni parles,
ni pleures de brises.
Je crains que tu encore rêves
à l’arrivée des marées invisibles,
sans comprendre
que tu n’es plus une côte désirée.
Chants de sirènes en silence.
Nue de l’autre côté du miroir.
Alice, tout de coup, est devenue mère.


SOLITUDE MARINE
          
La solitude marine
de ta tristesse.
Une échelle de savon
jusqu’à tes lèvres.
Dis-moi ce que tu n’as jamais dit.
Souviens-toi du café
qui répare les songes
jamais songés.
Et deviens écume
assise sur la plage,
je t’en prie.

       
GOÛT DE NEIGE
        
Tu sens de neige.
Pourquoi ?
Le chagrin finalement se glisse
jusqu’à la lampe d’Aladdin.
Nostalgies de Schéhrézade.
Tu as oublié tes sourires,
une autre fois,
triste chanson pour une berceuse.


PLUIE
                     
Une pluie qui crie
et soudain tu pleux
impuissante sur les vitres de ma voiture,
goute à goute,
encore indéchiffrable.
Je ne te connaissais pas pluie,
tu m’as surpris,
mais c’est l’unique façon
de se prostituer décemment,
n’est-ce pas ?
Si tu respires toujours,
enlève-toi ta voix de poussière


 


© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

quarta-feira, setembro 22, 2010

Woman's hair, woman's flow.- XFC

Woman, Prague, river, coffee, beer... All the topics that make me remember absence. This time in English.
________________________________________________________________________




[1]

I'd rather live
among your hairs,
to stretch time out,
as long as possible.

Keep on sleeping
and dreaming
of hot
silent
chocolate words.



[2]

I became a believer
of your hair.
Your breeze
was a scenting prayer.
But I didn't count
on distance.
Too many steps
to measure the light.

Coffee was even cold this morning.


[3]


I can't discard
those last minutes,
since as centuries
they invaded all our skins.
Let me guess
the whisper of stones
foretelling your departure.
Let me discard myself
from your breaths,
now and ever,
again.



[4]


My soft spot?
Remember and forget you,
tide after tide...
till oblivion shouts 'enough'
and I pick my long white nostalgia up
just to catch the next tramway
to nowhere.


[5]


Nothing else but vacuum.
The Vltava got lost
among our beer halutinations.
Its old bridges now look like
beggars of colours.

You have left
and the city does not exist any longer.
Useless to dream
of up-current waterfalls.

Prague is only absence.

© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

domingo, setembro 05, 2010

Four steps through Prague.- XFC

Four steps through Prague is homage to the city of Prague. These poems were originally written in German by me. My good friend Janina Vahl revised them to me. The Portuguese and English versions are mine (so excuse the faillures and be patient). Once again, the city is identified with personal feelings and sensations. At the bottom of its essence a woman's heart throbs. It might mean Prague is a desired woman whose real name is kept half-secret.
________________________________________________________________________




I


Es regnet auf Prag.
Der August kommt traurig.
Warum hast du mir nicht gesagt,
dass deine Stimme
fliehendes Wasser geworden ist.
Aber komm ruhig.
Es gibt noch
heißen Kaffee irgendwo

***********

It's raining on Prague.
August comes sadly.
Why didn't you tell me
your voice has become fleeing water?
But come.
There is still
some hot coffee anywhere.

************

Chove em Praga.
Agosto vem triste.
Por que não me disseste
que a tua voz se tornara água a fugir?
Mas vem.
Ainda haverá
café quente nalguma parte.



II


Das letzte Licht der Straße
betracht uns noch.
Prag möchte lernen in deinem Schoß
zu schlafen.
Inzwischen holt die Karlsbrücke
alle Nostalgien ab

************


The last light of the street
is still staring at us.
Prague wants to learn to sleep
on your lap.
Meanwhile the Charles Bridge
is picking all nostalgias up.

************

Contempla-nos ainda
a última luz da rua.
Praga quer apreender a dormir
no teu colo.
Entrementes a ponte de Carlos
recolhe todas as nostalgias.



III


Hört auf zu weinen.
In Prag
 sind alle Tränen aus Bier.
Die Moldau
ist heute unterwegs
zu deinem Sex.
In dieser Stadt
schweigen die Sterne
nie

*****************

Stop crying.
In Prague
all tears are made of beer.
The Moldava
is now
on its way to your sex.
In this city
stars are never silent

******************

Para de chorar.
Em Praga
todas as lágrimas são de cerveja.
O Moldava
já vai
caminho do teu sexo.
Nesta cidade
nunca calam as estrelas.



IV


Prag ist alle Nostalgien.
Du bist Prag,
Fluß,
Stimme,
und alle Abwesenheiten.

Nun kommst du nicht,
weil du die Stadt
und der Herbst
und der Abstand bist.

Frau in der Stadt,
wie gern würde ich dich bewohnen


*******************

Prague is all the nostalgias.
You are Prague,
river
voice
and all the absences.

Now you don't come
because you are the city
and the autumn
and the distance.

Woman in the city,
how much I'd love to inhabit you


*******************

Praga é todas as nostalgias.
Tu és Praga,
rio,
voz,
e todas as ausências.

Mas agora não vens
porque és a cidade
e o outono
e a distância.

Mulher na cidade,
como gostaria de morar-te.




© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide



sábado, setembro 04, 2010

Bottom of page .- Xafrico

Eight bilingual poemas PT-ES referring to loneliness and absence, but also to hope  and desires that could emerge at any moment. Sadness is just the first step to reach plenitude, because we, humans, are a universe in ourselves. Therefore, poetry is an old path that allows people to change the colour of the universe.
______________________________________________________________________
 
Tagus river near Aranjuez. Photo © Nataša Frías


[1]


Adoro as sílabas da chuva,
a baterem na rua,
doces e imensas.
Adoro ouvi-las trazer
lembranças de factos que ainda não foram.
Adoro esta chuva lenta
com voz de mulher

* * *

Adoro las sílabas de la lluvia
batiendo en la calle,
dulces e inmensas.
Adoro oírlas traer recuerdos de hechos que aún no han sido.
Adoro esta lluvia lenta
con voz de mujer.



[2]

Há dias em que mesmo o sol cala.
São dias que quiserem ser cinzentos,
mas o corpo não o permite.
Solidão sem uma bica de café,
aqui ao pé do Tejo,
quando ainda nem sonha com ser o lar dos fados.

* * *

Hay días en que hasta el sol se calla.
Son días que quisieran ser grises,
pero el cuerpo no se lo permite.
Soledad sin una taza de café,
aquí junto al Tajo,
cuando aún ni sueña con ser hogar de los hados/fados.



[3]

Não me esqueçam,
façam favor,
não me esqueçam.

Nas pétalas de rosa
mora a minha insignificância.
Naufrago nos pousos do café,
procuro sílabas que formem andorinhas.

* * *

No me olvidéis,
por favor,
no me olvidéis.


En los pétalos de rosa
vive mi insignificancia.
Naufrago en los posos del café,
busco sílabas que formen golondrinas.



[4]

Que mostrasse o coração,
dizias-me.
Um coração soldado
que apenas quer tingir de azul
os agoiros da desfeita.
Que fique tranquilo no fundo da página,
dizia-te.

* * *

Que enseñase el corazón,
me decías.
Un corazón soldado

que tan solo quiere teñir de azul
los augurios de derrota.
Que se quede tranquilo en el fondo de la página,
te decía.



[5]

A lentidão do teu sorriso
tem sabor de outono.
O pão na memória,
a lua na utopia,
o café pelas veias.
Afinal descem carícias
e criam silhuetas.

* * *

La lentitud de tu sonrisa
tiene sabor de otoño.
El pan en la memoria,
la luna en la utopía,
el café por las venas.
Al final descienden caricias
y crean siluetas.




[6]


Escrevo pequenas tristezas na neve.
A neve cobre toda a minha mente.
Atravesso a minha mente como uma rua.
A minha rua na minha voz derrete-se lentamente.

* * *

Escribo pequeñas tristezas en la nieve.
La nieve cubre toda mi mente.
Atravieso mi mente como una calle.
Mi calle en mi voz se derrite lentamente.



[7]


Onde moram corações,
cá mesmo baixo a janela,
repite-se a mesma pergunta:
quem são.

O sol desce assobiando,
a ausência torna-se dona do teclado.

Mais outra tarde.

* * *

Donde habitan corazones,
justo aquí debajo de la ventana,
se repite la misma pregunta:
quiénes son.

El sol desciende silbando,
la ausencia se vuelve la dueña del teclado.

Otra tarde más.



[8]


Onde é que ficam as marés,
as marés deste deserto de papel,
as marés da pedra ferida,
as marés que tornam as vozes paranoicas.
Onde é que ficam as marés de ser sem tem sido.

* * *

Dónde quedan las mareas,
las mareas de este desierto de papel,
las mareas de la piedra herida,
las mareas que vuelven las voces paranoicas.
Dónde quedan las mareas de ser sin haber sido.



© Xavier Frías Conde 2010
All rights reserved worlwide

terça-feira, junho 01, 2010

Ten haikus.- XFC

Ten trilingual haikus written between April and May 2010
_______________________________________________________________________

1

fados nos dedos,
vens ao tacto da erva,
hei de lembrar-te

hados en los dedos,
vienes al tacto de la hierba,
he de recordarte.

fates on the fingers,
you coming to the touch of grass,
I must remember you.


2

descer-te, ler-te,
tinguir-te, despovoar-te...
como inventar-te?

descenderte, leerte,
teñirte, despoblarte...
¿cómo inventarte?

descending you, reading you,
dying you, depopulating you...
how to invent you?




3

corpo e foresta,
tu chovendo-me toda,
elétrico à lua

cuerpo y selva,
tú lloviéndome toda,
tranvía a la luna

body and forest,
you raining upon me,
tramway to the moon.


4

mar sen marés,
navegar-te sem rumo
no embigo eterno

mar sin mareas,
navegarte sin rumbos
en ombligo eterno

tideless sea
sailing you nowhere
in a timeless navel


5

hei descubrir-te
entre hedras na meixela,
recua o tempo

te descubriré
entre hiedra en la mejilla,
recula el tiempo

I'll discover you
among ivy in your cheek,
when time withdraws


6

deusas inóspitas
e bébedas de ausências,
a rosa afoga

diosas inhóspitas
y borrachas de ausencias,
se ahoga la rosa

inhospitable goddess
all drunk of absence,
the rose gets drowned


7

voo-te lento,
expiro primaveras,
sopro na terra

te vuelo lento,
expiro primaveras,
soplo la tierra

I'm flying you slowly,
I'm expiring your springs,
I'm blowing the land


8


inventam anjos,
a noite vem despida,
marés antigas

inventan ángeles
la noche baja desnuda
marea antigua

they invent angels,
and the night is coming naked,
those ancient tides


9

a última rua,
em lábios dividida,
a outono cheiras

la última calle,
en labios partida,
hueles a otoño

the last street
now splitting into lips
you smell of autumn


10

viver no escuro
e viver apalpando-te,
viver-te sabor

vivirte en lo oscuro
y vivir palpándote
vivirte sabor

living you in dark
and living you in touch,
living you in taste




© Xavier Frías Conde
All rights reserved worlwide