Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Annihilation.- Lourdes de Abajo

Lourdes de Abajo is one of the most interesting voices of today's Spanish poetry. This is a brief sample of her poetry in a bilingual version Spanish-Portuguese
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ANIQUILACIÓN MÍA I



Huellas en el suelo.

Dentelladas.

Saberse desconocida
en una taza de café.

***
Los huesos.
Prisión de los días
sombra
de la carne.

***
Los hilos
gozne de la mano.
Puzzle
que busca ser completo.

Mientras
la espera

deja caer sus hebras
como días
en un calendario usado.

***
La mano marca mi muñeca.
El cuerpo
(redondo y frío hueco)
a salvo.

En una soga.


ANIQUILACIÓN MÍA II

La geometría de mi voz
del silencio es la geometría.

Vocales.
Vocales que se dibujan.

Y la voz
ese perfil
que calla.

***

Me recuesto en mi mano
este frágil soporte que sostiene
la huída                 de mí.

***

Yugo y choza.

Sierva. Mísera.

La voz hambrienta
en esta visitada soledad.

***

Bebo de mis pechos
y, arrepentida, huyo.

Vuelvo al andén
donde no habita nadie.


ANIQUILACIÓN MÍA III

Quieta.
Rota.

Detenido el avance,
regreso.


(indecisión)

***

El llanto reunido
en una frontera que es mía
más allá de mí.

Y en la lentitud
la piel de un pájaro.

Como abrigo.

***

loba soy sed llanto
animal devorado

sola
espero
y no emprendo la huída

aúllo

***

Como otra forma para la aniquilación
me digo amplia
oquedad con horquillas.

Sujeto
mi peinado de novia.


ANIQUILAÇÃO MINHA I



Pegadas no chão.

Travadas.

Saber-se desconhecida
numa conca de café.

***
Os óssos.
prisão dos dias
sombra
da carne.

***
Os fios
gonzo da mão.
Puzzle
que procura ser completo.

Enquanto
a espera

deixa cair as suas frebas
como dias
num calendário usado.

***
A mão marca meu pulso.
O corpo
(redondo e frio oco)
a salvo.

Numa soga.

ANIQUILAÇÃO MINHA II

A geometria da minha voz
do silêncio é a geometria.

Vogais.
Vogais que se desenham.

E a voz
esse perfil
que cala.

***

Deito-me em minha mão
este frágil suporte que sustém
a fugida                 de mim.

***

Jugo e choça.

Serva. Mísera.

A voz fomenta
nesta visitada solidão.

***

Bebo dos meus peitos
e, arrependida, fujo.

Torno à gare
onde não mora ninguém.

ANIQUILAÇÃO MINHA III

Quieta.
Rota.

Detido o avance,
regresso.


(indecisão)
***

O pranto reunido
numa fronteira que é minha
além de mim.

E na lentidão
A pele dum pássaro.

Como abeiro.
***

loba sou sede pranto
animal devorado

sozinha
fico à espera
e não inicio a fugida

uivo
***

Como outra forma para a aniquilação
Digo-me ampla
vazio com grampos.

Sujeito
o meu penteado de noiva.



© do texto: Lourdes de Arriba
© da tradução: Xavier Frías Conde
All rights reserved worldwide

Sábado, Janeiro 30, 2010

Silent Steps.- Vicente Araguas

These are two poems by Vicente Araguas, one of the most remarkable contemporary Galician poets. They belong to two different books of his. Both poems are offered together with an English translation.
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CANDO ELA DORME

é un sabor
de laranxa
brava.
E o fume
do cigarro
doce como
nata montada.
Cando ela dorme:
un biscoito
despenado
na alba.

(O gato branco,  1995)

WHEN SHE SLEEPS

she´s a taste
of bitter
orange.
And the smoke
from the cigarette
as sweet as
whipped cream.
When she sleeps:
a cake
flung down
into the dawn.



                 

EU FUN O AMANTE DE LADY CHATTERLEY

ao rachar do serán a curvatura.
As nádegas da lúa apontaban en ningures
o novo rumbo dos equinoccios.
Flossie ouveaba choivas de azures,
xofre adolescente na derradeira batalla,
Flossie do solpor, alpendre, dafodilo,
velaí Constance que coñecía.
Non é bo asimilar esposos paralíticos,
tampouco secarse baixo a mesma volvoreta,
sentir que a bágoa caeu na mina de volframio,
nin sequera sei onde puxen as muletas.
Se eu fose gardaboscos envolveríate, Constance,
cun vagalume roubado dun Bentley vello estilo,
mais hoxe, calquera necesita un pai
e un rumor de sabas para se cubrir alleo.

(Paisaxe de Glasgow, 1978)

I WAS LADY CHATTERLEY´S LOVER

while the nightfall was fracturing the curvature.
the moon´s backsides were directed at nought,
the newborn track of the equinox.
Flossie barked torrents of blues,
adolescent sulphurs at the final affray,
Flossie at sunset, the hut, the daffodil,
that was all that Constance knew.
It doesn´t do to take on crippled consorts
or to dry ourself under the same butterfly,
to feel the tear dropt into the tungsten pit
I don´t even know where I left the crutches.
If I were a gamekeeper I´d cloak you, Constance,
in a glow worm pinched from a vintage Bentley,
but today, everybody needs a father
and a  distant noise of sheets  to cover us, strange.



© Texts: VICENTE ARAGUAS
© Translation: MICHAEL WARREN-PIPER
All rights reserved worldwide

Sexta-feira, Janeiro 22, 2010

Aconteceu que foi inverno.- XFC

Wintertime means time to look through the window. Coffee then becomes a good friend, maybe the only one. Coffee usually brings inspiration and remembrances.
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I


o silêncio
sempre o silêncio
a replicar
na gorja
como um déspota

esta manhã
nem és rua
nem és alva

silêncio

descalça


II


retorno dum exílio
impreciso

um exílio
de mim mesmo

de manhã
para partir
rua avante

num círculo
de marés que me matam
e ressuscitam

e de tarde
perder o nome
outra vez

esse
que às vezes
nem lembro


III

não estás

a tua silueta
ainda aconchega
na minha consciência

não estás

vais embora
com o sabor
do café às escondidas

não estás

até a tristeza
hoje
me acarinha


IV

a rua repite
silêncios

tenho-os tão ouvidos

silêncios
de nome partido

rochas baixo a língua
a ferver

mais
e mais
ausência


V

se tiver
bússolas
procuraria
teus dedos

tentaria
matar este inverno
descendo
a tua olhada

e de repente
janeiro
que nem aboia
no anel
do fundo
do café


VI

tardes de sábado
sem areias
onde deixar
sílabas
estreladas

inverno em infância
lento
sem lumes esta vez
onde pôr
teu nome a aquecer
mais uma vez

VII

pele
de deusa

o inferno
está tecido do teu silêncio

por que tanto lembrar-te...

VIII

fugiu espido
o telefone

nem um adeus furtivo

nada

parecia que temesse
que eu quisesse perceber os seus olhos

talvez ainda
amanheça morto

como uma praia
farrapenta de trevas
    uma vez
que também
esqueceu despedidas

© Xavier Frías Conde
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