Frantz Ferentz, 2014º
domingo, outubro 19, 2014
HACE OCHO MINUTOS
domingo, outubro 12, 2014
HOY CON LA LLUVIA ~ HOJE COM CHUVA
hoje, com a chuva, amanheceram muitos veleiros pela minha rua. antigos nomes de mulher e histórias inconfessáveis. tu e a tua vela entre eles. o outono vestiu-se de preto, como uma fadista, e fingiu-se mulher, como uma fadista, com voz de Lisboa, como uma fadista. todas as encruzilhadas surgiram debaixo da minha cama. fora continuava a chover. tu também. e não estavas. o café hoje foi com enxaqueca. e nódoas, nódoas, muitas nódoas nesta terra que me esconde, me embala e me tinge a pele de azul. há séculos que não me beija a língua atlântica das sílabas imprevisíveis. Olho pela janela, ainda mais chuva. gosto do cheiro da chuva entre as tuas pernas, gosto de ti molhada na rua, gosto dos farois da rua a tentarem apanhar lampejos de chuva, gosto que a chuva se dilua e se reinvente. gosto de ti e de todas as mulheres que foram e foram embora. escorrega-me a solidão pelo buraco do bolso. um continente no teu cabelo, isso procuraria agora, também sob a chuva. uma chuva, apenas uma chuva, mais nada, o Tejo sigiloso, face a Lisboa, arredor do teu umbigo. Apenas isso, se não tu, ao menos a tua chuva pela minha rua.
(áudio em português)
Frantz Ferentz, 2014
segunda-feira, outubro 06, 2014
LISBON NOT LISBON ~ LISBOA NÃO LISBOA
almond trees
are banned to meet fados secretly
while the last rests of the Atlantic
are sold in the black market
and old tramways are forced
to learn absences by heart
tonight Lisbon
wanders barefoot
no one is a fado
and there is
no trace of you tonight
along the banks of the Tagus
**************
as amendoeiras
têm proibido ver-se
em segredo com os fados
enquanto os restos do Atlântico
são vendidos no mercado negro
e os velhos elétricos são obrigados
a apreender ausências de cor
nesta noite Lisboa
caminha descalça
ninguém é um fado
e não há
de ti pegadas nesta noite
pelas beiras do Tejo
Frantz Ferentz, 2014
quarta-feira, setembro 24, 2014
WORDS AND CELLS

words
like cells
are
unpredictable
words
like cells
help
invent men
words
like cells
should ever
be painted in blue
words
like cells
sing
sad songs when unnoticed
words
unlike cells
may not
be written
Frantz Ferentz, 2014
NO PENSEM ~ LET'S NOT THINK
Si jo et penso
i tu em penses
perquè no ens pensem?
Millor no pensar
a pensar
sinó caure en gotes
de pluja improvisada
**************
If I think of you
and you think of me
why don't we think of each other?
It's better not to think
of thinking
but fall down in drops
of sudden rain
Frantz Ferentz, 2014
domingo, setembro 21, 2014
CUANDO ERES VINO
A S.G.G.
eres ese vinode renombre
con regusto
y matices en cada gota
eres ese vino
que deja los paladares
rendidos
a tu memoria.
eres ese vino
rojo
y mujer
en blusa
blanca
Frantz Ferentz, 2014º
quarta-feira, setembro 17, 2014
JE N'AI RIEN COMPRIS
Peut-être je n'ai rien compris.
Il y a des jours
quand je doute que j'existe.
quand je doute que j'existe.
C'est
l'habitude. Cependant,
il pleut en silence aujourd'hui,
le vent souffle désolé et
l'enfant automne
joue avec moi
au cache-cache derrière ma fenêtre.
Oui, probablement, je n'ai rien compris.
Frantz Ferentz, 2014
CHOVE
chove
sem permissão
chove
com raiva
chove
escorregando saudades
chove
azul
chove
outono
chove
chuva com cheiro
chove
infância
chove
sem roteiros
chove
no Tejo e no teu cabelo
chove
porque chove
chove
ainda
Frantz Ferentz, 2014
segunda-feira, setembro 15, 2014
DESDIBUJANDO HUELLAS ~ UNDRAWING FOOTSTEPS
la última vez que te vi
cargabas tus olvidos
al hombro
y te ibas desdibujando huellas
por tus mejillas
corren desmemorias
the last time we met
you were carrying your oblivions
on your shoulders
and then leaving
while undrawing footsteps
unmemories run
along your cheeks
Frantz Ferentz, 2014
segunda-feira, setembro 08, 2014
HOMENS, TERRAS E PÓS
A Rafa Yáñez,
Alberto G. Bautista
e Ricardo Pichel
pela grandeza da amizade
há terras que são hostis porque nasceram para sê-lo. nelas crescem homens que são hostis porque nasceram dessa terra e têm pó na cabeça. e são ainda mais hostis com aqueles que não caminham levantando poeira, a sua, a que os alimenta. e à poeira chamam pátria.
quando eu lá cheguei pensaram que também levantava poeira ao falar, mas não, era apenas o eco das minhas palavras. os homens hostis, o da pátria de pós, quiseram tornar-me poeira, como eles.
e fugi.
pensei nunca mais olhar para trás. perguntei-me como se odiava o pó. mas há pós que ultrapassam cérebros e corpos. e soube que nem todos os pós são iguais. há pós que não querem ser poeira.
conheci então pós exiliados. pós famintos e sorridentes. conheci o valor de escrever com o dedo no pó sem ser incomodado por regras de cozinha aplicadas à escrita daquilo que ninguém tem certeza que exista.
e fiquei
fiquei exiliado onde não há exílio. vivo entre pós que sabem de carícias. não são de homens. nem de pátrias. são pós e não são. mas gosto. gosto de pós que viajam com sirocos e nunca possuem uma terra. e são.
Frantz Ferentz, 2014
A WET SYLLABLE, WHY NOT?
A wet syllable of yours
Two barefoot steps forwards
or backwards
or upwards
or neverwards
A night never waited for
You undressed up in silence
A few drops of salty melancholy
Tramways running aimlessly
along your back overnight
But you already knew it:
my crucifixes no longer exist
Frantz Ferentz, 2014
THE BEGINNING OF THE FLIGHT OF BUTTERFLIES
the beginning
of the flight of butterflies
occurred in the first season of your sadness
remember?
you had just turned one millennium old
and I had just come back
from my last tree metamorphosis
and sang songs of deserts
that ever dwelt your nameless lap
it was the beginning
of nothing and of all
in the spring of your silence
remember
when memories were made out of cobblestone
and letters feigned
to be whole words stressed on all their syllables
trying not to get unnoticed
for the raindrops walking down your chin
that was
a long, long time ago
when you and me
still believed
that a navel
was an ocean
remember?
remember, please
Frantz Ferentz, 2014
domingo, setembro 07, 2014
LA MOCHILA AZUL
a Siracusa
━ Pásame mi mochila azulGracias...
Pesa más, qué
me has metido?
━ Solo un abrazo
un abrazo sin número de serie,
uno casi caducado
uno que pretende en ti
morir viviendo
Frantz Ferentz, 2014
sábado, agosto 23, 2014
SI EXISTEIXES
De vegades penso que potser existeixes.
He tingut la impressió que alguna de les ombres,
que de nit, camí de Hradčanská, crec veure, podries ser tu.
Sí, ho penso sovint, quan vull
interpretar místicament les taques del cafè
mandrós que inventa destins sobre un full de paper.
De vegades em pregunto que, si existeixes,
quin sabor tindrà entre els teus llavis Praga
amb les seves síl•labes per tu pronunciades,
si sabries despullar-te en la boira
del Moldava quan la ciutat replega ànimes melancòliques.
De vegades sí crec que existeixes,
perquè he tocat de la teva esquena el carrer, fent amb el dit
camins entre la neu que et cobreix
i que tu has convertit el meu nom en alè
i en cervesa
al peu de Malá Strana.
De vegades estic segur que existeixes,
però de debò no ho sé,
per si de cas existeixes i em cerques
em trobaràs al pont de Carles...
sóc l'ombra de les monedes caigudes a la vora del jazz,
del jazz que de tu a tothom parla.
© text: Frantz Ferentz, 2014
© foto: Nataša Frías
sexta-feira, agosto 22, 2014
BRINDEMOS
Brindemos por tus rizos
brindemos por tu ingenuidad contagiosa
brindemos por tu ser inesperado
brindemos por tu silueta sin sombras
brindemos por tu revolución bajo la blusa
brindemos por tus caricias de amazona
brindemos por tu fragilidad imaginada
brindemos por ti
brindemos en tu boca
Frantz Ferentz, 2014
SOLO DIME

Dime quién eres cuando nadie te mira.
Dime en qué piensas cuando nadie te escucha.
Dime cómo vistes cuando nadie te conoce.
Dime qué lloras cuando nadie te pregunta.
Dime solo por qué eres.
Frantz Ferentz, 2014
El primer verso de este poema lo escribió Ainhoa Fernández Oliva Paz, el resto es cosa mía a partir de lo que ella había iniciado.
ONDE ESTAVA A TUA BOCA ~ DONDE ESTABA TU BOCA
há vários milhões
de almas
pensei em ti
agora
já não
só o nada
se balança onde antes
estava
a tua boca
********************
hace varios millones
de almas
pensé en ti
ahora
ya no
solo la nada
se columpia donde antes
estaba
tu boca
Frantz Ferentz, 2014
quinta-feira, agosto 14, 2014
ALL I HAVE TO TELL YOU
you won't need
any semiologist
any fortune-teller
any psychoanalyst
to help you understand
this:
all I have to tell you
is a tear
Frantz Ferentz, 2014
segunda-feira, agosto 11, 2014
FICO EM PRAGA
Chove em Praga. Batem lentas pingas de mulher que criam círculos excéntricos invisíveis. Uma caleça atravessa a ponte de Carlos caminho da tua boca.
Chove em Praga. Uivos em Malá Strana de mulher molhada em mercados improvisados de almas desleixadas onde se roubam e vendem verãos virgens e prantos de putas santas.
Chove em Praga. Gárgulas apaixonadas procuram mulheres e mulheres sós procuram filhos de Kafka que as abracem e não libertem.
Chove em Praga. Geme a minha janela enquanto espero pelo elétrico que sulca chuvas e cabelos e desmemórias. Fico à tua espera, confundido chuva com cerveja. Fico em ti. Fico em Praga.
Frantz Ferentz, 2014
domingo, agosto 10, 2014
TE MIRO SIN VERTE
te miro
sin verte
desde este no mar
al otro lado de mi ventana
en una noche
de tigres sin rayas
y falsos profetas
que queman en la lengua
al profanarlos
te pronuncio
sin hablarte
y no hueles a espliego
porque el verano
ya no es verano
padece mal de amores
y se emborracha
para olvidar
con los vagabundos
del parque
bajo mi ventana
te recito
en desmemoria
te nombro
y te desnombras
te distingo
y te desvaneces
te finjo
y tú caducas
acaso
el Moldava
no haya existido nunca
y tú a mí
me hayas inventado
mal y tarde
Frantz Ferentz, 2014
sábado, agosto 09, 2014
TÚ, CALLE MOJADA
en mitad de la noche
pensé en ti
desnuda como una calle
donde de repente
empiezo a llover
a lloverte
sobre la espalda
con las farolas
apagadas
me pregunté a qué sabría tu piel
mojada
salada
impaciente
solo había un modo
de averiguarlo
en torrentes
por tu boca
Frantz Ferentz, 2014
sexta-feira, agosto 08, 2014
AFLUENTE
sin previo aviso
serás mi afluente
mojada
y mojándome
hasta que
tu hidrografía
ya no entienda
de treguas
Frantz Ferentz, 2014
quarta-feira, agosto 06, 2014
REGURGITANDO A PREIAMAR
desligaste-te
ao final de uma página
em branco
quando a tua boca
regurgitou
toda a preiamar
foi uma crónica
improvisada
e agora
caminhas
escura pelo bordo de agosto
enquanto
tentas lembrar
como destecer os teus fluídos
de mulher
o verão
já não espera
eu também não
ao teu grito
transparente
sobram
todas as letras
Frantz Ferentz, 2014
AMANHECES LISBOA
amanheces
Lisboa
com os lábios
entreabertos
e como
sempre
o Tejo
faz
das tuas
pernas
a sua ribeira
Frantz Ferentz, 2014
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